meme literário
1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
«Manifesto contra o trabalho» do grupo Krisis. Já estou convencido, mas ainda não sei bem como aplicar o conceito na prática…
2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Sim, o Dicionário da Língua Portuguesa.
3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
«Fragmentos de um Discurso Amoroso». Para se ir lendo ao longo da vida, juntando os fragmentos, aos poucos. Neste livro, Roland Barthes escreveu uma das frases mais profundas sobre o Amor: «Cruzo-me, ao longo da minha vida, com milhares de corpos; desses milhares posso desejar umas centenas; mas, dessas centenas, não amo senão um. O outro por quem estou apaixonado mostra-me a especialidade do meu desejo.» Foi num destes momentos, de cruzamentos, que me encontrei com a Ana da Palma (foi a Ana que me indicou este livro).
Aliás, bastaria esta frase para ler e reler para o resto da vida.
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Felizmente, a lista está sempre a aumentar. Infelizmente, não vou conseguir viver até aos 500 anos, para conseguir ler todos esses livros.
5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Vários. «E viveram felizes para sempre.»
6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Não é para rir: «Sandokan», de Emilio Salgari. O meu pai tem a colecção toda (talvez a 1ª edição portuguesa) e aquelas capas de desenhos coloridos, antevendo aventuras fantásticas com tigres na selva da Malásia, despertavam a vontade de ler o livro.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Se o livro é chato, não o devemos ler até ao fim. Se afirmei na questão 4 que tenho uma lista enorme de livros para ler, por que raios é que vou perder tempo a ler um livro chato até ao fim?
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Fechei os olhos e visualizei dois livros: «Contos do Gin-tonic» do Mário-Henrique Leiria e «Tire a mãe da boca» de João de Sousa Monteiro. Obviamente, foram livros que me marcaram. Depois de ter lido os contos, talvez com 17/18 anos, andei várias semanas a fazer de Mário-Henrique Leiria e a escrever coisas do género. A mãe tirada da boca surgiu a partir de um programa radiofónico (na Rádio Comercial, onde eram lidos os textos do Sousa Monteiro), que acompanhava com interesse.
Se continuar a fechar os olhos, vou visualizar muitos mais livros preferidos.
9. Que livro estás a ler neste momento?
«A inteligência colectiva, para uma antropologia do ciberespaço» de Pierre Lévy. Estou no capítulo onde o autor descreve como a democracia directa pode ser concretizada através da web e das tecnologias digitais (o livro foi escrito em 1994).
Adeus, democracia representativa.
10. Indica dez amigos para o meme literário.
Boris Vian, Mário-Henrique Leiria, Raymond Chandler, Millôr Fernandes, Arthur C. Clarke, Paul Bowles, Michel Tournier, Mark Twain, George Orwell, Alexandre O’Neil…
Como não sei de que forma os poderei contactar, vou indicar também o Fernando Mouro e o Venerando de Matos.








